Desintegridades

A primeira coisa que nos surge a olhar para esta foto é "os americanos são mesmo atrofiados". Realmente é verdade, não faz muito sentido ter escadas rolantes para ir para o ginásio.
Mas cuidado. Não gozemos muito, temos telhados de vidro.
Esta falta de coerência, esta capacidade de desassociar os momentos, de viver a vida por partes, está constantemente no nosso dia-a-dia.
A questão não é estar sempre a fazer o mesmo, não é passar o dia no ginásio. Mas talvez se eu quero manter um fisico saudável faz sentido ir pelas escadas em vez de andar de elevador.
Está claro que se eu gosto de natureza vou aos fins de semana dar uns passeios pelo campo. E também está claro que não posso mudar o meu escritório para o pinhal. Mas se calhar faz todo o sentido, quando vou beber um café ou quando quero conversar com um amigo, procurar um espaço arejado e agradável em vez de me enfiar na catacumba mais escura e cheia de fumo.
E não estou aqui a falar de ter uma vida monótona, sempre com mais do mesmo. Estou a falar de integridade, de, embora a deva colorir com cores diferente, a tela se mantenha a mesma em vez de andar a trocar de quadro conforme a ocasião.
Organizamos a vida em gavetas. Abro e fecho cada gaveta no momento em que me convém e as coisas têm um sentido meramente utilitário e não de fundamento. Temos as pessoas e as acções separadas em salas e, de cada vez que passo de uma sala a outra fecho a porta para não haver comunicação.
Tenho uma casa, um lar? ou é apenas um conjunto de salas?
Não posso deixar de aplicar isto ao assunto base da vida.
O antigo mandamento "Não invocarás o nome de Deus em vão" significa muito mais do que não dizer «oh meu deus» ou «valha-me deus» sempre que calha.
Invocar o nome de Deus em vão é sempre que eu digo que acredito nele e o tenho como caminho e depois não faço nada como eu sei que ele aconselharia.
Ser cristão é inspirar-me em Cristo em cada passo que dou. Não é (só) uma questão de ir à missa ou de rezar. É nunca retirar Deus da cena. E mais uma vez aqui não se trata de passar o dia inteiro a rezar, isso seria uma estupidez. O objectivo não é substituir tudo por Deus mas sim pôr Deus em tudo.
E no dia em que eu conseguir isto... já sou santo.

3 Comments:
De facto é bem verdade: temos uma capacidade impressionante de atirar pedras aos telhados dos vizinhos sem repararmos na fragilidade dos nossos. E o engraçado é que todos parecemos estar fartos de saber isto, mas quando chega a hora de aplicar... como quando eu digo que a mãe da minha amiga é descompensada e não me lembro que a minha passa a vida a desafiar os limites do som, ou quando classifico de infantil o facto de alguém não gostar de determinado prato mas não me lembro que me recuso a comer alface... e por aí adiante. Como já Alguém dizia há dois milénios atrás "Porque apontas o argueiro no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu"?
Kiya
Não somos todos pecadores a caminhar para santos?:P
Era tão bom ser-mos um computador e correr o "desfragmentador" quando necessário... prespectiva redutora esta a que acabei de escrever...
Somos humanos e podemos fazê-lo quando quizermos, desfragmentar a nossa vida, será que por vezes paramos para pensar nos fragmentos? Nas desintegridades? e nas integridades?.... =P
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